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Sonho de Uma Noite de Verão
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Ponto de Vista |
E SE O PETRÓLEO, AFINAL, NÃO É DE ORIGEM FÓSSIL? PARTE II |
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26 de Dezembro de 2009
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Quando eu era professor de Ciências da Natureza, havia várias coisas que me irritavam muito; uma delas era mandarem-nos dizer mal das bebidas alcoólicas na roda dos alimentos. Ora é sabido que o vinho é um óptimo alimento, que a cerveja é um dos responsáveis pela osteoporose atacar menos os homens que as mulheres (porque os homens a bebem mais, claro) e que é muito mais eficaz do que o leite para a assimilação do cálcio nos ossos. O que não há dúvida é que as escolas continuam a considerar as bebidas alcoólicas como uma coisa má. Mas as escolas são locais pouco propícios a mudanças, como se pôde demonstrar com as manifestações organizadas em Portugal, em 2009, contra a Ministra da Educação.
E isto a propósito dum conceito que as escolas de todo o mundo passam ao afirmarem que o petróleo é um combustível fóssil, que surgiu há 500 milhões de anos, tendo por origem a decomposição de plantas e animais mortos, aprisionados no fundo dos oceanos numa camada de lama e cobertos por outras camadas de solo, formando ao longo do tempo o petróleo. Foi-nos sempre dito que o petróleo vai acabar e que nos encaminhamos para uma crise energética, sendo por isso que o preço do barril passou de 25 dólares em 2002 para 134 dólares em 2008 (data em que o artigo que me serve de referência foi escrito).
De onde veio, no fim de contas, a história de que o petróleo teria surgido de fósseis de organismos vivos e seria, portanto, biótico? O geólogo russo Mikhailo Lomonossov teve esta ideia pela primeira vez em 1757: "o petróleo surge de pequenos corpos de animais e plantas, enclausurados em sedimentos sob alta pressão e temperatura e que se transformam em petróleo após um período inimaginável". Não se sabe que observações o levaram a afirmar isso, mas esta teoria nunca foi confirmada e é aceite sem provas há mais de 200 anos.
Porém, nunca foram encontrados fósseis de animais ou plantas nas reservas de petróleo. E o petróleo é extraído de grandes profundidades, ultrapassando os 13 km. Isso contradiz totalmente a tese dos fósseis, pois os restos dos seres vivos marinhos nunca chegaram a tais profundidades e a temperatura (elevadíssima) teria destruído todo o material orgânico. Além de que as reservas de petróleo, que deveriam estar vazias desde os anos 70, voltaram a encher-se novamente por si mesmas.
Uma explicação plausível aponta para o facto de, na Terra, as placas continentais flutuarem sobre uma inimaginável quantidade de hidrocarbonetos, a base constituinte do petróleo. Nas profundezas do manto terrestre surgem, sob determinada temperatura, pressão e condições adequadas, grandes quantidades de hidrocarbonetos. A rocha calcária anorgânica é transformada num processo químico. Os hidrocarbonetos que daí resultam, são mais leves que as camadas de solo e rocha sedimentares, e por isso sobem pelas fendas da Terra e acumulam-se sob camadas impermeáveis da crosta terrestre. O magma quente é o fornecedor de energia para este fenómeno geológico. O resultado dá pelo nome de petróleo abiótico, porque não surgiu a partir da decomposição de formas biológicas de vida, mas antes por um processo químico no interior da Terra. E este processo acontece ininterruptamente. Quando se observa onde estão localizadas as grandes reservas de petróleo no mundo, é notório que elas surgem onde as placas tectónicas estão em contacto uma com as outras.
Em 1970, os russos começaram a perfurar poços a grandes profundidades, ultrapassando os 13.000 metros. Desde então as grandes petrolíferas russas perfuraram mais de 310 poços e extraem de lá petróleo. Em 2007, a Rússia ultrapassou a extracção do maior produtor mundial, a Arábia Saudita.
Começa-se assim a desconfiar que o petróleo pode ser explorado praticamente em toda a parte, desde que se esteja disposto a investir nos altos custos de uma perfuração profunda. Qualquer país poderia tornar-se independente em matéria de energia.
Ao que parece, a invasão do Iraque teve a ver com o petróleo. Mas, e se em vez de ter sido para garantir a sua extracção, se foi para evitar que o petróleo iraquiano inundasse o mercado e os preços caíssem? É que Saddam Hussein tinha ameaçado extrair quantidades enormes de petróleo e inundar o mercado…
Carlos Carvalheiro |
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