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Sonho de Uma Noite de Verão
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Ponto de Vista |
| MUITA MERDA! |
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31 de Outubro de 2009
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Não, não me estou a referir à porcaria que envolve o Armando Vara, que deve ser do mesmo género da que envolve o Dias Loureiro, quem sabe lá se não é toda a mesma. Falo da expressão que usualmente é usada no teatro e que é usada para desejar boa sorte para o espectáculo. Pessoa amiga ensinou-me que a expressão tem origem (no século XVII ou XVIII) na merda dos cavalos que ficavam à porta do teatro a aguardar pelos donos que tinham ido ao espectáculo: quanto mais merda houvesse na rua, mais pessoas tinham ido assistir.
Isto é muito bonito ser culto.
E terminava essa pessoa: assim, já sabendo o sentido, desejo muita merda para o espectáculo da Regaleira (o Fatias de Cá tem apresentado nessa quinta em Sintra “O Anel Quebrado” desde meados de Setembro)
Foi simpático. E um “muita merda” não se agradece. Mas também é verdade que, embora tenha havido poucos cavalos à porta da Quinta da Regaleira, os espectáculos estiveram cheios de gente, o tempo esteve primoroso e todos nos divertimos, que e para isso que o teatro é feito: para dar prazer, a quem faz e a quem vê. E era assim que o espectáculo se preparava para encerrar a carreira deste ano, no fim de semana antes dos bolinhos e do porco que calha a 1 de Novembro, como é costume. E depois recebe-se a noticia: o Custódio morreu. O Custódio esteve ligado desde miúdo a restaurantes e protagonizou o quadro “O Broche”, a meias com o Plácido, no espectaculo “Tomar em Revista”.
E foi com este aperto que o poema final da peça ganhou um novo matiz (até houve quem dissesse que o final devia ser mais flat, eu nem sei o que é que isso quer dizer):
Era uma vez um menino que tinha um passarinho dentro de uma gaiola
O menino gostava muito do passarinho
O passarinho passava os dias a brincar ao piu-piu
Um dia o menino decidiu libertar o passarinho e abriu-lhe a porta da gaiola
O passarinho continuo a saltitar, descuidado
Na manha seguinte, quando o menino foi junta da gaiola, encontrou o passarinho morto, no chão da gaiola
Tinha-se suicidado
Muita merda, Custódio
Carlos carvalheiro |
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