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OS “NOVO-RIQUISTAS”
03 de Outubro de 2009
A semana passada fui a uma tipografia em Tomar para orçamentar a edição de uma peça de teatro do Fatias de Cá e um amigo meu, que lá trabalha, comentou comigo que as listas concorrentes à Câmara andam a gastar dinheiro que nem doidos. Por exemplo, os outdoors (aqueles cartazes grandes que se metem nas rotundas com 3 metros por 8 e que em português se poderiam chamar “fora de portas” ou até “no olho da rua” que não é uma tradução tão bonita mas é mais expressiva) custava cada um 6.000€ (seis mil, sim). Claro que ele também se interrogava onde é que eles iam buscar tanto dinheiro, embora cá para mim a pergunta fosse mais transparente com “como é que eles ficaram de pagar a quem lhes paga os cartazes?”
Também na semana passada foram anunciados pela Câmara de Tomar os subsídios atribuídos às colectividades e associações culturais em 2009 (ao Fatias de Cá calhou um subsídio de 12.000€). Os vereadores da oposição fizeram declarações de voto grandes, eu não tive paciência para ler tudo, mas ainda tirei umas pelas outras que eles estavam a dizer mal da politica cultural da Câmara, porque não apoiava como deve de ser a Cultura. É claro que os que fizeram as declarações de voto foram os mesmos que já estiveram a mandar na Câmara quando era o PS a mandar e, que tinham exactamente os mesmos critérios na atribuição dos subsídios (aliás, foram eles que os inventaram, com a ajuda do António Rebelo, que também quis ser candidato à Câmara, e do Carlos Trincão, que entretanto é mandatário do Bloco de Esquerda, ambos assessores do Pedro Marques, quando o Rosa Dias ainda era da CDU, a memória é uma coisa muita linda, malvado senhor alemão que ataca tanta gente).
E a equivalência entre os dois parágrafos supra pode então ser feita de uma forma simples: o subsídio atribuído para um ano inteiro ao Fatias de Cá vale tanto como dois outdoors da campanha autárquica.
Sim, eu sei que é um bocadinho demagógica a equivalência. Mas é só um bocadinho. E não deixa de ser uma metáfora. O que não deixa de ser curioso é que o candidato em que eu vou votar, o Bruno Graça, não tenha entrado nesta euforia “novo-riquista” e tenha utilizado cartazes que custam 35€ cada um, pespegados a candeeiros. É verdade que ele não ficou assim lá muito bonito, nem usou aqueles casaquinhos de alfaiate, mas tem obra feita na Cultura, coisa que nenhum dos outros se pode gabar. E aquilo que a Câmara de Tomar precisa é de alguém que se interesse pela Cultura.
Vamos lá eleger o Bruno Graça para Vereador.

Carlos carvalheiro
 

 

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