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Ponto de Vista
LAPALICIADAS
21 de Setembro de 2009
Há leis que são mesmo cómicas. Assim do género do Monsieur de La Palisse. Como é o caso da lei anti-cartel que obriga as gasolineiras a divulgar nas auto-estradas, a 10 km das bombas de gasolina, que vai haver divulgação do preço da dita em cada uma delas daí a 8 km (ou seja, a 2 km das ditas) e, quando a gente chega ao painel a pouco mais de 120 km/h (se for a muito mais, alem de ser ilegal não se consegue ler), constata-se que os preços de todas as gasolineiras ao longo da auto-estrada têm todos o mesmo valor, por exemplo, o gasóleo a 1€054. Podiam ser hipócritas e uns pôr o gasóleo a 1€055 e outros a 1€053, a diferença seriam uns ridículos 20 centavos (ainda se lembram deles?) e portanto, ao atestar um carro com 50 litros uns gastavam mais 10$ que outros, ou seja, 5 actuais cêntimos a mais ou a menos em cada depósito. Ninguém levava a mal. Mas quê? As gasolineiras são mesmo francas e escrevem alto e bom som que combinam os preços, o que pode indiciar uma prática de cartelização. Aquilo que eu tenho pena é que elas não combinem os preços com as bombas de gasolina das grandes superfícies e decidam que o litro do gasóleo ficava abaixo de 1 €. Mas essas combinações não fazem elas. E claro, ali na auto-estrada não é fácil sair para ir atestar o depósito e depois voltar a entrar, nem nos vale de nada dizer para irem roubar para a estrada, que na estrada estão elas.
Para o caso de esta “metáfora lapaliciana” ser um bocadinho rebuscada, atentemos noutro exemplo.
O Marcelo Rebelo de Sousa num comício do seu PPD puxa pelo gasganete e grita que os portugueses têm de escolher entre mais do mesmo, e então que votem Sócrates, ou mudar, e então que votem Ferreira Leite. A laranjada, claro, irrompe em aplausos, como se o homem tivesse dito alguma novidade. Mas afinal o que é que se poderia esperar dum partido que está no Governo e que quer continuar a ser Governo senão defender o que fez e propor-se continuar a fazer no mesmo sentido? E o que é que se pode esperar de um partido que está na Oposição e que quer ser Governo senão atacar o que foi feito e propor-se fazer diferente?
Eu é que já tinha desesperado de ver o meu Pais a encontrar rumo, confesso-me um admirador do rumo que entretanto tomou. Sim, eu quero mais do mesmo. E, se eu perder as eleições, claro, como diria o Monsieur de La Palisse, passo para a oposição.

Carlos Carvalheiro
 

 

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