pesquisar
Estreias
Espectáculos
Agenda
Reservas
Bilheteira
Notícias
A Trombeta da Abadia
Fotogaleria
Links
NEWSLETTER
e-mail
 
remover e-mail

 

 

 


-NOTÍCIAS- ARTIGO

mais informação
Viriato
 
mais informação
Sonho de Uma Noite de Verão
 
mais informação
Richard III
 
mais informação
T de Lempicka
 
mais informação
A Festa de Babette
 
mais informação
O Nome da Rosa
 

Ponto de Vista
E O COMÉRCIO TRADICIONAL?
22 de Agosto de 2009
Estive há pouco tempo a acertar com o Director do Casino da Figueira a reposição do “T de Lempicka” no Palácio Sottomayor e ele contou uma história engraçada a propósito dos três milagres económicos que aconteceram no pós segunda guerra mundial, o alemão, o japonês e o português: o milagre alemão baseou-se no planeamento, na organização, no trabalho; o milagre japonês, na disciplina, na inventiva, na lealdade à empresa; e o milagre português, que esse, é mesmo milagre.
E isto fez-me lembrar o paradoxo que é o comércio tradicional se queixar que não tem clientes, dizer que as grandes superfícies matam o comércio tradicional e depois o comércio tradicional está fechado às horas a que os compradores estão disponíveis, ou seja, à hora de almoço, a partir do fim da tarde e ao fim de semana.
Claro que o comércio tradicional invoca a tradição das 9 à 1 e das 3 às 7, mas aquilo que parece esquecer é que o mundo mudou: antigamente os homens trabalhavam e as mulheres eram domésticas, o que significava que era a elas que cabia gerir os recursos e providenciar às necessidades da família, coisa que faziam durante o dia. Depois, deixou de haver domésticas, porque as mulheres tiveram de acumular essa tarefa com trabalho remunerado. A partir daí o conceito de família mudou, os divórcios subiram em exponencial, o tempo disponível para compras diminuiu, deixou de se regatear os preços, e as pessoas preferem comprar onde podem fazer as compras todas.
E então pergunto eu: se as lojas, por exemplo, da Corredoura, não abrissem tão cedo (a exemplo do comércio espanhol) e estivessem abertas quando as pessoas andam na rua, a par dos restaurantes e esplanadas, aquilo não se transformava num magnífico centro comercial ao ar livre?
A tradição e a inovação não são em si coisas boas ou más, embora seja costume associar quem gosta da tradição à direita e quem gosta da inovação à esquerda. Uma não vive sem a outra porque uma tradição é sempre fruto de uma inovação. A questão que se coloca é: quando é que é a altura de inovar?
Bertolt Brecht (um dos mais importantes homens de teatro do século XX) respondeu a esta questão com um raciocínio lapidar: Quem é que vai mudar o mundo? É quem não está contente com ele.

Carlos Carvalheiro
 

 

Copyright © Fatias de Cá, 2003 - Desenvolvido por: josé vaz e silva