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Ponto de Vista
UM CONGRESSO DE CONFRARIAS
08 de Agosto de 2009
Agora que os candidatos à Câmara de Tomar manifestaram pelo menos uma coisa em que estão todos de acordo (que a Cultura em Tomar é um factor prioritário) e que todos vão avançando com ideias que acabam por ser idênticas umas às outras, e muitas vezes idênticas ao que se passa noutros sítios, não quero deixar de contribuir com uma ideia nova que, a exemplo do lema do Fatias de Cá, poderá ser a não resistir, tal como um vinho velho.
Mas teorize-se primeiro, antes de concretizar.
O principal factor para que uma ideia nova vingue é o seu carácter de inovação e, caso seja provada a sua eficácia, a ideia nova torna-se um referencial e, se houver persistência na sua aplicação, uma tradição. É o caso do Congresso da Sopa, hoje uma iniciativa inquestionável e com assinatura tomarense. Deixou de ser o caso do Festival de Gastronomia de Santarém, que partindo de um fabuloso conceito inicial de “ajuntamento” de tasquinhas (conceito que valeu uma infinidade de réplicas por esse País fora) onde era possível comer petiscos de todo o lado, qual arco-íris de sabores, o veio a trocar, primeiro por umas “tasquinhas” de luxo que levavam preços tão altos pelos petiscos que pareciam que estavam num concurso de ver quem é que roubava mais e, ultimamente, num aglomerado de uma dúzia de restaurantes das diversas regiões do Pais, onde cada um de nós se senta para comer uma refeição completa, típica sem dúvida, mas que impede que se tenha vontade de nos sentarmos noutro a comer uma outra típica refeição. Mas eu não vim aqui para criticar as ideias dos outros e sim para dar uma. E então, no concreto, a ideia é a seguinte:
As confrarias gastronómicas e vinícolas são associações culturais que juntam os seus confrades em torno de uma receita ou produto com o objectivo de o preservar e de o valorizar. Há uma “infinidade” de Confrarias espalhadas pelo Pais, de todos os sabores e para todos os gostos: do bacalhau, da cabidela, do vinho verde, do caracol e do etc. Se se propuser a uma série de Confrarias para se virem divulgar num Congresso organizado para o efeito em Tomar, teríamos uma panóplia de sabores e gostos que poderiam ser partilhados por um vastíssimo público, a exemplo do que se passa no Congresso da Sopa, que os restaurantes tomarenses tão generosamente acarinham. A novidade, neste caso do Congresso das Confrarias, é que a organização não incidiria em restaurantes mas sim um grupos organizados que defendem uma “camisola” sem fins lucrativos e assim, a divulgação dos produtos, seria feita a um custo mais baixo, coisa que juntaria o útil ao agradável ou, neste caso, a fome com a vontade de comer.
Bom, e fiquemos por aqui, para ver ser a ideia pega.

Carlos Carvalheiro
 

 

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